O isolamento social durante a pandemia do Covid-19 trouxe uma oportunidade para várias famílias poderem compartilhar mais momentos juntos, o que antes, para alguns, não era possível devido a correia do dia a dia. Porém a pandemia também trouxe diversos desafios, em especial para crianças, como rotinas alteradas, falta da convivência com os colegas na escola, com amigos e familiares queridos, medo e insegurança frente a um inimigo invisível. Essas condições afetam de forma singular, em curto e longo prazo, a nossa saúde física e mental.
É preciso ter um olhar especial para as crianças, pois elas nem sempre conseguem expressar o que estão sentindo ou acontecendo. Na infância a estrutura mental é desenvolvida e o acontecimento sucessivo de situações adversas em longo prazo, pode atrapalhar o desenvolvimento do cérebro e, até mesmo, alterar alguns sistemas importantes.
O importante nestes momentos é que possamos estar disponíveis para escutar e acolher as crianças, pois através da relação, do diálogo e do tempo dedicado ao outro podemos ajudá-las a identificar suas emoções e seus sentimentos e a lidar bem com eles.
Ter uma boa saúde mental envolve diversos aspectos como o bem-estar físico, mental e social. A Organização Mundial da Saúde (OMS) defende que para crescerem saudáveis, as crianças devem passar menos tempo sentadas assistindo a telas, devem dormir melhor e ter mais tempo para brincar ativamente.
O confinamento gerou um aumento expressivo da utilização das telas e dispositivos digitais, causando modificações nas relações familiares. O uso de tecnologias digitais, embora muito úteis, precisa ser bem orientado. Para a Sociedade Brasileira de Pediatria, o excesso de tempo em frente às telas dos equipamentos eletrônicos não só pode provocar alterações de comportamento, como também contribui para o aumento da obesidade infantil.
Para aumentar o nível de atividade física, os pais precisam investir na prática de exercícios físicos em casa, de forma lúdica, através de brincadeiras e atividades adaptadas para ambientes fechados. Assim, praticar atividade física pode se tornar um momento familiar de entretenimento e socialização, o que pode oferecer também benefícios importantes para a saúde mental.
Ao fim do dia, mais do que algumas horas de repouso, o sono é essencial para que crianças se desenvolvam, tanto física quanto emocionalmente. É durante o sono que nos desligamos do mundo e nosso corpo libera substâncias do crescimento, transforma as vivências do dia em aprendizados, e equilibra nosso organismo de uma forma que somente uma boa noite de descanso consegue fazer.
Por isso, é importante garantir a qualidade do sono, além de respeitar a quantidade de horas de descanso necessárias. Para as crianças em idade pré-escolar (3 a 5 anos) é indicado de 10 a 13 horas de sono, que podem incluir cochilos, com horários regulares para dormir e acordar.
Para que as crianças tenham uma boa noite de sono, seguem algumas dicas: Na hora de dormir proponha atividades mais relaxantes e que aconteçam em uma sequência de eventos. Jantar, fazer uma brincadeira que não seja relacionado às telas, e sim um momento de estar junto. Pode ser brincar de desenhar, jogar cartas, montar lego. Depois, escovar os dentes e fazer alguma atividade breve no quarto, como deitar na cama e ler uma história. Nesse momento é interessante ter uma diminuição do movimento na casa e a luz ir ficando mais baixa. Tendo essa repetição todos os dias, a criança vai percebendo essa rotina e se adaptando a ela.

Lembrem-se: saúde física e mental andam juntas! O aprendizado de hábitos e práticas saudáveis na infância exige paciência, persistência e amor dos pais.

Um abraço fraterno,
Direção do Jardim

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